Cidades Inteligentes: tecnologia e participação cidadã moldam o futuro urbano
- Pedro Mouco

- 12 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 14 de nov. de 2025
O uso de dados, internet das coisas e governança digital transformam os centros urbanos, porém o Brasil ainda engatinha no assunto
A ideia de “Cidade Inteligente” vem dos anos 1990 e foi proposta como uma nova opção perante o urbanismo tradicional. Hamilton Leite, mestre em Engenharia Civil e Urbana pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que o conceito apoia o uso das tecnologias da informação e comunicação para buscar soluções para as dificuldades dos municípios.
Com o passar dos anos, incorporou as seguintes dimensões: economia, mobilidade, meio ambiente, qualidade de vida, governança e pessoas, visando o equilíbrio entre as dimensões para alcançar o desenvolvimento sustentável.
Segundo a ONU-Habitat, até 2050 quase 70% da população estará vivendo em áreas urbanas. Isso corresponde a algo em torno de 6,7 bilhões de pessoas, considerando as projeções feitas pela ONU. Por isso mesmo, as cidades precisam ser replanejadas.
Danaê Fernandes e Roberto Moreira conversaram sobre os critérios de avaliação do que pode ser considerada uma Cidade Inteligente, além de repercutir a premiação de Londrina no ranking Connected Smart Cities que trouxe a 17ª no geral. Confira no vídeo abaixo:
Muito da integração entre os sistemas dos centros urbanos deve vir da conexão 5G. O desafio é utilizar essas informações para gerar mais equidade entre os habitantes. De acordo com a consultoria Fortune Business, o mercado mundial de cidades inteligentes foi avaliado em US$ 624 bilhões em 2023 e deve alcançar US$ 4.648 bilhões em 2032. O que representa uma taxa de crescimento média anual de 25,2% no período.
No Brasil, o Ministério das Cidades disponibiliza anualmente R$ 2 bilhões para projetos de reabilitação ou modernização tecnológica de perímetros urbanos. O dinheiro vem do programa por meio do Pró-Cidades. Uma das opções é financiar o uso de tecnologias para cidades inteligentes para a modernização tecnológica urbana.
Participação cidadã digital
O Ministério das Cidades aponta que, dentro das diretrizes, a população está no centro do processo de transformação. É um processo baseado na integração entre o governo e a sociedade. O estudo conta com dados de aplicativos nos quais a população colabora com informações e leva em consideração as características de cada região.
Para os pesquisadores da FGV, Erico Przeybilovicz e Maria Alexandra Cunha, o novo modelo de governança foca na comunicação, interação, colaboração e participação na tomada de decisões, visando o engajamento dos cidadãos.
Mobilidade integrada com tecnologia
Essa tecnologia é usada em conjunto utilizando: videomonitoramento, leitura automática de placas e sensores de tráfego e velocidade. Todos os dados captados pelas câmeras e sensores são processados em tempo real. Visa dar respostas imediatas aos incidentes, projetar ações de prevenção e planejamento urbano baseado nessas evidências.
Para que ocorra, é vital uma gestão integrada e visão estratégica. São gerados dados que orientam as políticas de mobilidade, transporte coletivo e o uso da infraestrutura urbana.
IoT urbano
Dispositivos já integrados à Internet das Coisas (IoT) vão auxiliar esta interação. O crescimento gigantesco do número de dispositivos conectados, desde aparelhos domésticos até infraestruturas urbanas, aumenta a quantidade de conexões possíveis.
A sinergia entre 5G e IoT acelera o tempo de resposta urbano, de forma inteligente e quase instantânea às mudanças. Pode ser aplicado, por exemplo: na segurança pública, telemedicina, sensores de gestão de resíduos, monitoramento ambiental, estacionamento inteligente, medidores de serviços públicos.
Qual a situação do Brasil?
Segundo o Ministério das Comunicações, a cobertura do 5G no Brasil atinge 63,61% do País. O Plano Nacional de Internet das Coisas está em desenvolvimento para fomentar dispositivos inteligentes para o agronegócio, saúde e as cidades.
Porém, a certificação de smart city é rara no Brasil. Menos de 2% dos municípios atingem nível médio de transformação digital e social. Dentro do concurso do Connected Smart Cities, Vitória superou Florianópolis, que ocupou a primeira posição nos últimos dois anos e caiu para o segundo lugar. Niterói, São Paulo e Curitiba completaram o top 5. Vitória se destacou no estudo pela cobertura de internet 5G, acesso ampliado a celulares e digitalização de serviços públicos.
Londrina – Entrevista com o presidente da CMTU, Fabrício Bianchi
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU) atua em parceria com a Londrina Iluminação, a Companhia de Tecnologia e Desenvolvimento (CTD) e a Codel para tornar Londrina uma cidade cada vez mais inteligente. Um dos principais projetos nesse sentido é o Londrina ON, aplicativo que deve começar a funcionar até 20 de dezembro de 2025, permitindo que os cidadãos acessem diversos serviços públicos diretamente pelo celular.
De acordo com o presidente da CMTU, Fabrício Bianchi, o Londrina ON vai facilitar a vida da população ao reunir, em um só lugar, serviços como pedidos de poda de árvores, limpeza de fundos de vale, solicitações de alvarás e até o agendamento de consultas nas unidades de saúde do município. “O cidadão terá tudo isso na palma da mão”, afirma.

Em relação à mobilidade urbana, Bianchi destaca que um dos principais focos da atual administração é incentivar o uso do transporte público coletivo como alternativa para melhorar o deslocamento na cidade. Atualmente, menos de 8% da população londrinense utiliza o transporte coletivo, e diversas ações estão sendo realizadas para aumentar esse número.
Entre os investimentos, ele cita a incorporação de 102 novos ônibus em 2025, com um aporte de quase R$ 90 milhões. A frota de Londrina é uma das mais novas do país, 100% adaptada para acessibilidade, com mais de 50% dos veículos equipados com ar-condicionado, além de câmeras, sistema de áudio, wi-fi e carregadores de celular.
Antes e Depois das Cidades Inteligentes
Há uma tendência mundial em tornar as Cidades Inteligentes, veja o que eram as cidades antigamente e como estão agora. Confiram abaixo:








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