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Construção civil transforma projetos com inovação sustentável

  • Foto do escritor: Pedro Mouco
    Pedro Mouco
  • 12 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 14 de nov. de 2025

Desde o uso de material reciclável à tecnologia BIM, o setor integra a economia circular e gestão de resíduos para edificações mais sustentáveis e eficientes


“A sustentabilidade consiste no atendimento das necessidades da população atual sem comprometer o atendimento às necessidades das futuras gerações.” A afirmação é da professora Tatiane Dal Bosco, Doutora em Engenharia Agrícola e Especialista em Resíduos Sólidos da UTFPR-Londrina. Para a pesquisadora é preciso buscar um equilíbrio entre o meio ambiente, a sociedade e a economia.


De acordo com Tatiane, a construção civil é um setor que carece de revisão sustentável. Um estudo feito pelo Sinduscon-SP demonstrou que no Brasil a construção civil é responsável por 50% do uso da água potável em áreas urbanas. No mundo este índice gira em torno de 21%, que já é alto. 


Tatiane explica que o uso consciente da água é apenas um dos gargalos do setor. Uma das saídas para evitar o desperdício é a aplicação da economia circular, que busca reduzir resíduos e a extração de novos recursos naturais. Para isso, é preciso reciclar e reutilizar materiais. No caso da construção civil faz-se necessário buscar formas de gerenciar melhor as sobras. 


Estudo da Embrapa aponta que o Brasil gera quase 50 milhões de toneladas de entulho por ano, mas recicla apenas 21%. Credito: Canva
Estudo da Embrapa aponta que o Brasil gera quase 50 milhões de toneladas de entulho por ano, mas recicla apenas 21%. Credito: Canva

O gerenciamento de resíduos inclui planos, procedimentos e ações que devem primar pelo uso responsável dos recursos. Neste caso o projeto inicial da obra já deve prever o reaproveitamento de materiais, por meio da RCC (Reciclagem da Construção Civil). Os materiais reciclados voltam para os pátios de obras principalmente na forma de agregados, que são granulados e geralmente substituem pedras e areia. 


A start up londrinense S’obra tem pouco mais de um ano de existência Conecta pessoas interessadas em comprar materiais semi-novos que deixariam de ser utilizados, dando um novo destino e promovendo a economia circular. O site dá a oportunidade para as pessoas criarem os anúncios para depois combinar a forma de entrega dos produtos. Confira no vídeo abaixo:



Estes materiais são obtidos a partir da reciclagem de concreto, restos de demolição, cerâmica, asfalto, entre outros materiais. Além destes produtos provenientes de RCC, é possível utilizar materiais ecológicos. Alguns exemplos de materiais ecológicos são: bioconcreto, telhado verde, bambu, replast (material reciclado a partir de plásticos pós-consumo), contêineres usados em construção modular, argamassa de argila e isolamento ecológico (fibras naturais ou recicladas). 


Desde a década de 1970, o tijolo ecológico vem ganhando espaço na construção civil. Ele é feito a partir de mistura de solo, saibro e areia cava. É fabricado sem queima em forno, reduzindo a emissão de CO₂ e o gasto de energia. Além de sua base pode aproveitar materiais locais e reciclados como casca de arroz e resíduos de madeira. Os blocos se encaixam sem argamassa, facilitando construções a seco. É menos poluente e gera pouco resíduo. 


Outra opção sustentável para o setor é o uso da plataforma BIM. O projeto é feito em tecnologia 3D, tanto o projeto estrutural, como o hidráulico e o elétrico estão juntos. Isso garante um melhor cálculo são previstos numa única modelagem de informações de construção. Ela permite planejar, simular e gerenciar toda a obra com mais precisão. 


Junto com materiais e softwares que dão mais sustentabilidade às obras, há também os sistemas construtivos que têm sido cada vez mais tecnológicos. A alvenaria ainda é tradicional, porém outros sistemas são utilizados no mundo, confira no vídeo abaixo:


Saiba mais sobre a alvenaria, o CLT, Wood Frame e Steel Frame.



Um trabalho realizado no Museu da História Natural de Los Angeles verificou que a utilização de BIM resultou numa redução de 15% da quantidade de resíduos, com geração de lixo 30% menor e redução na emissão de carbono.


Quanto mais limpa a construção maior sua chance de alcançar certificações verdes. A LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é uma destas certificações. Ela é um sistema de classificação de edifícios sustentáveis, desenvolvido pelo Conselho de Construção Verde dos EUA. 


Ela avalia quão sustentável e eficiente é um prédio ou comunidade. A LEED analisa pontos como localização, uso de água e energia, materiais utilizados na construção, conforto interno e inovações. Seu objetivo é incentivar projetos que economizem recursos e ofereçam bem-estar às pessoas, se estendendo à comunidade. 


Aqui no Brasil, independentemente de certificação, toda construção deve atender a critérios ambientais, principalmente referente aos resíduos gerados, para obter o alvará e/ou ser licenciada. O  Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) é uma ferramenta na qual os resíduos são classificados. 


Tatiane Dal Bosco explica que todas as etapas do gerenciamento devem estar descritas, incluindo o acondicionamento, armazenamento, coleta interna e externa, tratamento e destinação final das sobras. O Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) é o documento que deve acompanhar o descarte. Ele é passível de fiscalização pelos órgãos ambientais e, atualmente, integra o PGRCC.


Construtores que não se preocupam com as questões ambientais podem pagar caro pela falta de atenção. A multa por poluição ambiental varia de R$ 5 mil a R$ 50 milhões de reais.



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