Consumo consciente revela impactos da compra ao descarte
- Pedro Mouco

- 12 de nov. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 14 de nov. de 2025
Ações individuais, políticas públicas e modelos como a moda circular constroem a sustentabilidade do que se compra ao que se descarta
É normal que cada escolha tenha uma consequência. O motivo para se abordar o consumo consciente é que ele se torna um hábito de se afastar do que é desnecessário e causa danos ao ambiente, buscando o que promova a sustentabilidade.
A WWF Brasil apresenta alguns passos para praticá-lo. O primeiro deles é saber a origem do que você compra. Reciclar e reutilizar, além de consertar o que quebrou em vez de jogar fora. Por fim, buscar por produtos usados em sebos e brechós. Por fim, buscar por produtos usados em sebos e brechós. Dessa forma, o consumo de recursos diminui e os itens aumentam sua vida útil.
Ainda que o consumo consciente ocorra, é necessária a gestão de resíduos. Ela envolve a coleta, transporte, tratamento e descarte de maneira eficiente. O início do processo é uma boa separação, por tipo de material, para uma decisão posterior de destino do resíduo.
No Brasil, a questão é preocupante. O País produz em torno de 90 milhões de toneladas de lixo por ano, e apenas 7,5% desse volume é reciclado, segundo estimativa da Embrapa.
Em Londrina, quase 40% do município é atendido pela Cooper Região. Ela é a principal entre 7 cooperativas de reciclagem no município. No ano de 2024, conseguiram triturar 9.962 toneladas de resíduos, apenas 16% do potencial reciclável. A unidade emprega coletores, separa e vende todos os tipos de resíduos recicláveis. Confira um pouco mais do trabalho no vídeo abaixo:
Além do trabalho das cooperativas de reciclagem, uma das opções da gestão do descarte é a logística reversa. Trata-se de um processo em que produtos e embalagens voltam do consumidor para a indústria, para serem reaproveitados ou reciclados.
Alguns resíduos já têm logística reversa obrigatória como embalagens e resíduos de agrotóxicos; pilhas e baterias; pneus; embalagens e resíduos de óleos lubrificantes; lâmpadas; produtos e componentes eletroeletrônicos; medicamentos e embalagens em geral. Os fabricantes desses produtos seguem a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Considerando a questão de logística reversa, o governo federal emitiu o Decreto do Plástico, em 21 de outubro de 2025. O documento apresenta como metas a reutilização de 32% das embalagens em 2026, com aumento gradual até 50% em 2040. A meta só será considerada atingida com a reciclagem e o uso de conteúdo reciclado.
Cris Peruchi, especialista em pesquisa e desenvolvimento de embalagens, conta os desafios da sustentabilidade no setor. Traz um panorama da influência europeia na preocupação ambiental e aponta as dificuldades do Brasil para viabilizar os projetos, ouça abaixo:
A reciclagem é entendida como uma série de procedimentos que proporcionam o reaproveitamento de materiais que seriam descartados. Ela evita o lançamento de resíduos no meio ambiente. Promove a economia circular, poupa recursos naturais (energia, água), reduz o volume de lixo e ainda gera empregos.
Com a reciclagem há uma economia de CO₂, entenda no gráfico:
Consumo consciente na Indústria da Moda
A indústria da moda é uma das grandes geradoras de resíduos. Segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), são fabricadas aproximadamente 100 bilhões de peças de vestuário por ano, no mundo. São mais de 3.000 peças por segundo.
No Brasil, são 6 bilhões de peças de vestuário por ano. É como se cada brasileiro comprasse 28 roupas novas em doze meses. São 190 peças por segundo. A grande oferta de vestuário mudou a relação de consumo. Um levantamento feito pela McKinsey aponta que muitos trajes são descartados depois de apenas sete ou oito usos. A escalada do descarte gera desperdícios, danos ambientais e à saúde.
Para Bheatriz Graciano, mestre em Design, o desperdício financeiro da indústria da moda é assustador. A subutilização de materiais ainda é muito alta. E o modo de produção seria a principal causa do desperdício de produto têxtil. Segundo a pesquisadora, a indústria da moda aderiu a uma produção de vestuário semelhante aos fast foods. O fast fashion alia a produção do máximo de coleções no período possível. Os prazos são reduzidos entre a criação, o desenvolvimento das modelagens, até a chegada das peças às araras das lojas.
A qualidade é comprometida, para atender a velocidade das tendências ditadas pela internet. A Shein é a tradução do conceito, com alguns estudiosos que chamam esta tendência de ultra fast-fashion. A gigante do varejo é uma das grandes plataformas de comercialização online de moda. Ela chega ao consumidor com promoções agressivas e as últimas tendências.
Bheatriz afirma, porém, que existe uma alternativa a este tipo de moda. Ela aposta em subdivisões da moda sustentável, como a moda ética, slow-fashion e a moda circular. Elas partem de processos mais lentos, com o desenvolvimento de produtos por demanda e são conduzidos por marcas menores. Estes produtos ganham valor, por conta da boa qualidade de produção.
Há ainda os brechós e aplicativos de troca ou aluguel de peças. Essas opções desafiam o modelo atual vigente da indústria da moda, já que o consumo vai além do possuir, é muito mais pensado na circularidade e na experiência. Além dos brechós, há outras iniciativas que buscam tornar a moda circular, como é possível ver nas fotos abaixo:
Repassa: Plataforma de brechó on-line que permite comprar e vender roupas de segunda-mão com curadoria. repassa.com.br
Meu LOC (Londrina-PR): Aplicativo/site de aluguel de roupas e acessórios, onde usuários podem filtrar peças por gênero, ocasião, tamanho etc. meuloc.com
Enjoei: Marketplace brasileiro para venda e compra de roupas, acessórios, eletrônicos e afins, com foco em roupas usadas/novas em oferta. Enjoei
Movimento ReCiclo (por C&A): Iniciativa de economia circular que recebe roupas usadas em boas condições para reuso ou reciclagem visando reduzir impacto ambiental.
Segundo a ABREMA, em 2023 foram geradas 80 milhões de toneladas de lixo no Brasil. Em média, 382 quilos de resíduos por pessoa.A reciclagem ainda é tímida, 8% do total. Se deixarmos de fora o que foi reciclado, compostado, queimado, ou descartado irregularmente, são 69,3 milhões de toneladas. O país ainda extinguiu seus lixões, montanhas de rejeitos a céu aberto, ainda há muito a ser feito. É necessário consumir de maneira consciente.
A Secretaria do Ambiente de Londrina (SEMA) tem feito ações de conscientização para grupos de interessados, tanto de instituições públicas quanto privadas. Responsável pelo setor de Educação Ambiental da SEMA, Lidiani Isidoro fala sobre a importância ambiental de revermos nossos hábitos de consumo, confira no vídeo abaixo:









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