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Como o Brasil transforma lixo e sol em soluções de energia limpa

  • Foto do escritor: Pedro Mouco
    Pedro Mouco
  • 12 de nov. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: 13 de nov. de 2025

País investe em aproveitamento de resíduos orgânicos e expansão crescente de usinas fotovoltaicas, impulsionando a descarbonização da matriz energética


Fomentar o acesso à energia limpa é uma importante resposta em relação às mudanças climáticas, sendo também importante na sustentabilidade econômica e na luta para atender ao Acordo de Paris. De acordo com o documento, é necessária a descarbonização das fontes energéticas. 


Além da energia proveniente das hidrelétricas, a eletricidade gerada por biogás, ventos e sol constituem opções eficientes no cenário energético.  Um relatório da Ember (Agência Internacional de Energias Renováveis) mostrou que as fontes renováveis de energia chegam a 41% da geração mundial de eletricidade. 


Nesta busca por novas opções limpas de energia, o que é considerado refugo vem ganhando espaço. Isso porque uma vida sempre gera resíduos, independentemente de ser humana ou animal. Em 2024, cerca de 7,37 milhões de cabeças de boi foram criadas de modo confinado no Brasil, de acordo com pesquisa da Scot Consultoria.  Somente o gado brasileiro gera em média 2,69 milhões de toneladas de esterco anuais. O esterco bovino é rico em gás metano.


Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente, o gás metano é o segundo maior causador do efeito estufa. Os dejetos animais, se não manejados e tratados de forma adequada, têm alto potencial para se tornar um problema ambiental e de saúde pública. 


Quando falamos dos seres humanos, além dos seus próprios dejetos, há ainda o lixo gerado. Cada brasileiro gerou pouco mais de 400 kg de resíduos sólidos, em média, em 2024, segundo o Instituto de Logística Reversa (ILOG). Para piorar a situação, o índice de reciclagem no País está em apenas 4,5%. A maior parte dos resíduos segue para aterros sanitários. 



Em Londrina, o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), feito em 2021, apontou que 40% dos resíduos da cidade são de matéria orgânica. Segundo levantamento do município, cada londrinense gera 160 kg de lixo anualmente. 


Biodigestores e seu papel em transformar rejeito em energia


Uma das formas de aproveitamento de resíduos orgânicos são os biodigestores. O equipamento consiste num reator que funciona em um compartimento fechado. No biodigestor podem ser depositados restos de comida, folhas, esterco de animais e até lixo orgânico. O material entra em decomposição sem ter contato com o ar.


Por meio de microrganismos, os resíduos passam por um processo natural que gera dois subprodutos: biogás e biofertilizante. O biogás pode ser usado como energia (para cozinhar, gerar eletricidade ou aquecer água) e o biofertilizante é um adubo utilizado no plantio de culturas agrícolas. 


Essa prática reduz desperdícios e é ambientalmente correta pois contribui para a redução dos gases do efeito estufa. O biogás também reduz a dependência de combustíveis fósseis. Visitamos um biodigestor utilizado para geração de energia, confira no vídeo a seguir:


Propriedade rural de criação de vacas utiliza sistema que gera energia e biofertilizante dando sustentabilidade à rotina rural.


Quais os riscos dos biodigestores?


Vazamentos de gás: o biogás que sai do biodigestor tem muito metano, que pega fogo facilmente. Se houver vazamentos nos canos ou no local onde o gás é guardado, pode acontecer incêndio ou até explosão.

Riscos na manutenção: quem trabalha limpando ou consertando o biodigestor pode entrar em contato com gases tóxicos ou até correr risco de cair dentro dos tanques.

Poluição do solo e da água: se o biodigestor não for bem feito ou bem cuidado, pode vazar líquido ou restos de resíduos que contaminam o solo e a água ao redor.

Emissão de gases poluentes: apesar de o biogás ser uma energia renovável, o processo também pode liberar gases que pioram o aquecimento global, como o gás carbônico.

Riscos à saúde: o contato frequente com gases tóxicos ou resíduos pode trazer problemas de saúde, principalmente para quem trabalha direto com o biodigestor.


Como os biodigestores podem funcionar nas empresas?


Isabela Machado é especialista em sustentabilidade para o setor de energia renovável. Ela atua em projetos com foco em biogás e soluções de baixo carbono. Com experiência prática sobre o tema, explicou a importância social da energia limpa dentro do contexto de compromissos assumidos para a redução das emissões de gases na atmosfera, ouça abaixo:






Energia Solar Fotovoltaica 

Outra opção de eletricidade limpa é a Energia Solar Fotovoltaica (ESF). A ESF é uma tecnologia que transforma a luz do sol em eletricidade. O sistema usa peças chamadas células solares, geralmente feitas de silício. Essas células captam a luz e a convertem diretamente em energia elétrica.


É uma fonte de energia renovável promissora, já que o momento atual de transição energética criou uma busca por segurança energética, com redução nos custos. 


As placas podem ser instaladas em qualquer local e funcionam de duas maneiras: on-grid e off-grid. Para o on-grid é necessária uma conexão com a rede da companhia de luz. O off-grid, normalmente, é para os casos em que a companhia não chega, utiliza baterias para manter cargas prioritárias ligadas durante a noite.


O que diz o especialista?


Hádel Martins, engenheiro ambiental, detalha o tempo de retorno do sistema: “Em média, em três anos o pessoal já tem o retorno do investimento, quando falamos sobre projetos on-grid. No nosso entendimento, as baterias (off-grid) ainda têm um custo relativamente elevado, mas acreditamos que com o passar do tempo os valores irão se tornar mais acessíveis”.


O engenheiro explica que no aspecto de economia de energia, em condições ideais, módulos com potência de 600W geram em torno de 75 kWh mensalmente, de acordo com o fabricante. Cada kWh custa perto de R$ 0,90, quem investe na energia fotovoltaica economiza entre R$ 60 a R$ 70 por mês com cada módulo.


De acordo com Martins, os projetos de ESF são elaborados com cautela e conservadorismo. A produção de energia é estimada em torno de 63 kWh por módulo no mês. Questões como sujeira, angulação e orientação do telhado são levadas em consideração para a instalação dos equipamentos. 


Veja abaixo qual seria o custo para um consumo de 200 kWh.





Paulo Souza é dono de uma academia de ginástica há 14 anos. Se acostumou a pagar entre R$ 2.500 e R$ 3.000 por mês na conta de luz. Há quatro anos optou por utilizar um sistema de ESF, com 50 placas solares. “Fiz um financiamento de 60 meses no Banco do Brasil (BB), pago todo mês R$ 1.800 de financiamento e R$ 300 de conta de luz”, conta Paulo. 


O investimento foi alto, perto de R$ 100 mil, mas dentro de um ano o financiamento com o BB vai ser quitado. E aí, ele deve passar a pagar apenas o mínimo de energia que usa da rede, com uma conta que representa apenas 10% da despesa que tinha antes da instalação das placas.


Como pode ser feita a venda de energia?


Há formas específicas de comércio da energia gerada. É proibida a venda para um vizinho, por exemplo. O que é permitido funciona dentro de um sistema de compensação. 


O excedente de energia gerado pelos painéis solares é injetado na rede elétrica, contabilizando créditos para o consumidor. O crédito pode ser utilizado para abater consumo em meses futuros. Em alguns casos, é possível transferir os créditos para outras unidades consumidoras sob o mesmo titular.


Quais as desvantagens e desafios?


O sistema tem um elevado custo inicial de instalação. A geração de energia é irregular, pois depende do sol. Telhados com sombras, orientação inadequada ou área insuficiente podem reduzir o potencial de instalação e a eficiência do sistema, limitando os benefícios da energia solar. 


Além da área adequada de instalação há outros entraves burocráticos. Para utilizar o sistema é preciso cumprir uma série de regulamentações e obter licenças específicas, o que pode envolver tempo e disposição de quem quer fazer a instalação.


Situação da energia fotovoltaica no Brasil


O Brasil já tem mais de 55 gigawatts (GW) de energia solar em funcionamento. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), este ano foram adicionados 1,6 GW ao sistema. 


A estimativa é que 5 milhões de imóveis estejam utilizando energia solar própria. As grandes usinas solares ligadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) respondem por 32% da eletricidade gerada neste sistema.


No primeiro trimestre de 2025 mais de 147 mil novos sistemas foram colocados em funcionamento. A energia solar própria é usada principalmente em residências (69,2%), seguidas por comércios (18,4%) e áreas rurais (9,9%). No Brasil, o estado de Minas Gerais lidera o ranking da ESF com mais de 900 mil imóveis atendidos.


A matriz energética brasileira é 88% formada por fontes renováveis. A energia solar é responsável por 22% do sistema, ficando atrás apenas das hidrelétricas, que representam 55% das geradoras de eletricidade. Somam-se às energias limpas a produção das eólicas, que contribuem com 14,8% das energias renováveis e a biomassa, que fica com 8,4%.


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