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Planejamento Urbano: Urbanismo Sustentável é ferramenta para tornar as cidades resilientes

  • Foto do escritor: Pedro Mouco Martins
    Pedro Mouco Martins
  • 12 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 14 de nov. de 2025

Baseado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) e em políticas de planejamento, o viés sustentável busca equilíbrio ambiental para as próximas gerações


Dados do Relatório Mundial das Cidades 2024 dão conta de que, até 2050, 70% da população mundial vai morar em áreas urbanas. As cidades correspondem a 3% da cobertura do planeta. Zuleica Goulart, coordenadora do Programa Cidades Sustentáveis do Instituto Cidades Sustentáveis, afirma que as cidades respondem por mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa. Esse é um dos motivos pelos quais as cidades devem ser planejadas para se desenvolverem de forma sustentável.


Luciana Honda e Gilmar Domingues conversaram sobre a interligação do Planejamento Urbano com a questão ambiental e como isso impacta diretamente na vida urbana. Confira no vídeo abaixo:


Mesacast do Tá no Pod na Tároba. Luciana Honda, arquiteta da UEL e Unifil, e Gilmar Domingues, Secretário do Ambiente, Agricultura e Abastecimento da Prefeitura de Londrina, falam sobre Planejamento Urbano

O Urbanismo Sustentável busca uma regularidade entre o ambiente, as construções e o bem-estar das pessoas. Vai da utilização consciente de recursos até a proteção da biodiversidade nas cidades. Sendo necessária a promoção da eficiência energética, saneamento correto e redução das emissões de carbono.

As transformações nas políticas de planejamento urbano são, geralmente, uma resposta aos problemas da cidade. Também seguem princípios políticos alinhados aos processos de mudança social discutidos.


O arquiteto da Secretaria do Ambiente de Londrina (SEMA), Carlos Augusto, detalha como era ideia do Urbanismo Modernista no século XX: “O urbanismo seguiu uma lógica de separação entre um lugar para trabalhar, outro para morar e um para lazer. Quando se cria uma série de empreendimentos com a única função da habitação, você não tem mais cidade. A cidade tem essa característica de uso integrado”.


A ONU estabeleceu 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para atingir a Agenda 2030 em todo o planeta. Tem como metas ações contra a pobreza e de proteção ao ambiente. Um deles é o ODS 11, confira nas imagens abaixo:



Um estudo de 2020 da ONU-Habitat projetou o valor dos investimentos para alcançar o ODS nº 11. Segundo o levantamento, numa cidade pequena de um país em desenvolvimento o aporte de recursos varia entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões por ano; de US$ 140 milhões a mais de US$ 500 milhões em uma cidade de médio porte em desenvolvimento em países como Colômbia, Índia ou Bolívia; e de US$ 600 milhões a mais de US$ 5 bilhões para grandes cidades em desenvolvimento como Kuala Lumpur ou Bogotá.


Cidades Caminháveis/de 15 minutos


A cidade de 15 minutos é um conceito do Urbanista Carlos Moreno, que possui duas premissas: a primeira, de que mercados, lojas de roupas, eletrodomésticos, lazer, cultura devem estar a até 15 minutos a pé de casa. A segunda, do local de trabalho estar a uma caminhada de 15 minutos da nossa casa.


Um dos pontos que precisa ser melhorado para esta realidade é a segurança no trânsito. Segundo números do Detran-PR e do DataSus, os pedestres são as principais vítimas do trânsito das cidades. Em 2023, 5.662 pedestres morreram em acidentes no Brasil, uma média de 15,5 ao dia. Já no Paraná, do total de 2.697 óbitos por lesões de trânsito, 485 eram pedestres, uma média diária de 1,3. 


Também é preciso enfatizar o papel das calçadas para as cidades. As condições e falta de padrão dos passeios públicos tornam as cidades menos caminháveis. Esta falta de padronização afeta pessoas com deficiência, já que a acessibilidade é precária. 


Planejamento Urbano e Mudanças Climáticas


Entrevistamos o professor Jorge Alberto Martins da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, para falar sobre Planejamento Urbano e Mudanças Climáticas, confira a seguir:


Qual a Relação entre planejamento urbano e as mudanças climáticas?



Faixa Sanitária e Área de Preservação Permanente


Se é preciso caminhar, é vital que a cidade tenha árvores e uma boa qualidade de ar. Dessa forma, os municípios precisam ter planos de arborização e proteger os seus rios e nascentes com vegetação. A obrigatoriedade da faixa sanitária e área de preservação permanente é peculiar. De certa maneira, veio de São Paulo a Londrina.


Isso ocorreu porque Prestes Maia, engenheiro e arquiteto da Escola Politécnica da USP, então Prefeito de São Paulo, optou por canalizar os Rios Pinheiros e Tietê na década de 1930. Em oposição ao que defendia Saturnino de Brito, Engenheiro civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, que defendia o respeito ao movimento dos rios das cidades.


Carlos, arquiteto da SEMA, conta: “ Prestes Maia estava seguindo o exemplo de Chicago-EUA de dar prioridade para os automóveis. As enchentes de São Paulo ocorrem por esse motivo. Com a várzea ocupada, graças a uma criação humana”.

Depois de vinte anos, em 1950, é votado o código de Obras de Londrina, equivalente ao atual Plano Diretor.


Dando uma volta na história, por coincidência, Prestes Maia era o consultor do projeto: “Ali ele insere o conceito de fundo de vale. No meu entendimento, ele aprendeu com os erros, com o rio sendo respeitado. Londrina foi abençoada com essa medida e por isso é raro você ter uma situação de alagamento. O que ocorre eventualmente é por falta de manutenção nas bocas de lobo”, relata Carlos.


Esquema da Área de Preservação Permanente e Faixa Sanitária. Crédito: Ippul/Folha de Londrina
Esquema da Área de Preservação Permanente e Faixa Sanitária. Crédito: Ippul/Folha de Londrina

A Lei foi uma das primeiras do Brasil a se preocupar com a proteção dessas áreas. A faixa sanitária é a área sem construção ao lado das áreas de preservação, que serve como proteção entre as matas ciliares e as vias, podendo abrigar redes de saneamento e outros serviços públicos. Já a  preservação permanente são áreas ao redor de rios, nascentes e várzeas, que incluem faixas verdes e sanitárias até a via mais próxima.






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